Irritação, raiva e fúria com rompantes emocionais

Já aconteceu de você perder o controle emocional, e sentir a sensação como se seu corpo fosse entrar em combustão?! Momento no qual você não consegue controlar a altura da sua voz, parece começar a esmurrar o ar, falando o que não deve, ou exagerando no que falar, ferindo outras pessoas?! Esse é um ataque de raiva ou fúria que leva ao rompante emocional com sensações de irritabilidade ao extremo, não conseguindo se controlar… Logo em seguida, quando você retoma a normalidade emocional e mental, fica com tanta vergonha, desejando que a terra abrisse um buraco e você conseguisse sumir nele…!

Você já escutou alguém falando sobre como “era bom viver no campo, nos tempos da roça?!” Nossos avós contam que não tinham nada das facilidades que temos hoje, nada de chuveiro elétrico, sem água encanada, a roupa era lavada no rio, entre outras coisas que eram totalmente diferentes da nossa vida de agora. Eles contam sobre essas situações as quais viviam e sentem muitas saudades, pois por mais que não tinham tantas facilidades naquela época, eles tinham bons papos, boas prosas nos finais de tarde, os bailões, a vida simples, sem o agito do trânsito e da vida acelerada das cidades…  Estafa! Estresse em excesso!! Rompantes emocionais!?… Nem sabiam o que isso significava…

A modernidade trouxe para nossa vida diária muitas comodidades que não havia antigamente. Porém, junto com essas facilidades vieram também muitas desvantagens, as quais se agravam em doenças psicossomáticas que levam às doenças crônicas, que se iniciam porque hoje a maioria das pessoas está com estafa mental, excesso de estresse, vivem ansiosas, entre outros. E parece faltar tempo para tudo!!! Levando a uma insatisfação geral, tristezas, sentimentos de inadequação, chegando ao ponto de não conseguirmos produzir o que somos capazes de produzir, o que, na maioria das vezes, leva-nos a buscar auxílio emocional para seguir frente…

Esses sentimentos de insatisfação, inadequação, entre tantos outros que surgem no caminho, levam a rompantes emocionais que podem gerar acessos de fúrias, nos conduzindo às ações de agressividade. O local em que nós observamos isso com maior frequência é no trânsito. Você já teve a sensação, como pedestre ou motorista, de que as pessoas se transformam quando estão no trânsito? E que ao agirem dessa forma passam a ter atitudes agressivas, antissociais, que adotam justamente quando estão utilizando essas vias?

Você se recorda da animação criada pelos Estúdios Walt Disney, que mostra o pacato pedestre, vivido pelo personagem Pateta se transformar no motorista raivoso, repleto de fúria, que modifica sua personalidade assim que dá a partida no motor de seu carro?! A animação mostra diversos maus hábitos ao volante, como não respeitar os pedestres, negar passagem a outros motoristas e até participar de rachas. Você tem ideia do que acontece no cérebro nesse momento?!

Estudos científicos apontam que o carro pode despertar um sentimento de poder em alguém que já tenha personalidade controversa, ou seja, por se sentir seguro dentro do automóvel e um tanto anônimo, o motorista com algum transtorno deixa fluir seu caráter agressivo e narcisista, torna-se irritado, rompendo em raiva ou fúria, prejudicando a coletividade do trânsito.

Nós nos irritamos sempre que não conseguimos atingir um objetivo, satisfazer um desejo ou quando nossa autoestima é atacada. A irritação é uma emoção hostil contra determinada causa. Ainda que seu primeiro impulso dure apenas uns poucos segundos, o estado de irritação pode perdurar por mais tempo e reavivar a emoção a qualquer momento. A raiva e a fúria são entendidas como uma emoção mais densa, explosiva, em que a irritação desencadeia uma reação imediata, e a energia em excesso descarrega-se no chamado acesso de raiva e fúria.

Essas emoções intensas, como irritação e raiva, estão vinculadas a fortes reações cerebrais e corporais. Elas se manifestam no aumento da pressão arterial e no tensionamento dos músculos, entre outras reações, sendo que todas estão sujeitas ao controle direto do cérebro. Mas, o que acontece no cérebro quando estamos irritados ou com raiva? É como se houvesse uma pane no seu cérebro. Mesmo que não exista um centro da raiva ou fúria específico no cérebro, quando surge a irritação, a raiva ou a fúria, várias partes do nosso cérebro entram em ação. Quando experimentamos essas emoções intensas, nosso corpo é de imediato “acionado para o ataque ou fuga”. Ele libera uma série de hormônios e neurotransmissores que atuam ao mesmo tempo para essa emoção, sendo eles a adrenalina, a noradrenalina, a dopamina e a testosterona. Com isso, nosso metabolismo se adapta à situação causadora das emoções vividas. Ou atacar ou fugir!

Essas ações que acontecem em nosso cérebro transformam-se em sentimentos que são expressos no nosso tom de voz, nos nossos gestos, na expressão em nosso rosto e corpo. Você já se olhou no espelho em um momento de grande irritação e raiva, para ver como fica a sua expressão?! É claro que existem muitos gatilhos de autocontrole que podem ser utilizados em seu benefício. A Neurociência traz esses mecanismos como forma de auxiliar nesses momentos de rompantes emocionais. Um exemplo onde acontece com mais frequência esses rompantes emocionais está no trânsito. Estudos mostram que quando você está dirigindo a aproximadamente 45 km/h, ou seja, uma velocidade normal para áreas urbanas, seu cérebro tem de processar mais de mil informações visuais, como obstáculos, carros, motos, bicicletas, placas, faixas de trânsito, pedestres, curvas, entre outros, tudo isso por minuto. Nesses estudos chegou-se à conclusão que se cada uma dessas informações fosse uma simples letrinha, o esforço mental equivaleria a ler este parágrafo inteiro em apenas um minuto – e fazer tudo isso dirigindo o carro.

Para manter-se atento há o excesso de estresse, e não há tempo hábil de direcionar essa energia gerada para outras ações, o que acaba em explosões de fúria e raiva no trânsito. A não ser que você aprende a conhecer esses gatilhos. Apesar de ser uma condição geral presente na atualidade da humanidade como um todo, há diferenças em cada cultura. Por exemplo, o trânsito na Índia é caótico, acontecem acidentes, sim, mas, mesmo em meio ao caos, não acontecem brigas e confusões. Eles podem até dirigir como loucos, porém, ao menos fazem isso com tranquilidade. Diferente de alguns motoristas do trânsito brasileiro.

Essa diferença entre os motoristas brasileiros e os indianos seria uma questão cultural?! Os indianos tem o hábito de praticar a meditação, sendo que esse povo é conhecido por ter equilíbrio emocional, por estarem mais próximos da natureza, da dança, música, por tocarem instrumentos musicais, entre outras ações culturais. E como eles fazem tudo isso rotineiramente, acaba por virar um hábito.

A dica da Neurociência Cognitiva e Comportamental é que você pratique respirações conscientes, de preferência 36 respirações pela manhã e 36 a noite. E em momentos de excesso de estresse e estafa mental, respire. Claro que existem outros gatilhos que trazem benefício, com maior tempo hábil você pode aprender. A meditação é fantástica! Deixe 10% (dez por cento) do seu dia para você fazer algo que te dê prazer, ao lado de pessoas que você ama para se sentir amado também. Não tem cansaço que resista, estafa que perdure e irritabilidade que não passe quando você descobre a verdadeira razão de o porquê lutar! Razão essa que são as pessoas que amamos e que nos amam.

Vídeo – assista ao vídeo sobre esse assunto no nosso canal do Youtube – ASE Treinamentos: